Confiança, Motivação, superação e atitude, Mudança

Cama de Pregos

Cama de Pregos

Embora soubesse que os pregos não sairiam por espontânea vontade, eu não encontrava forças ou tinha recursos para sair de cima deles ou martelá-los

Após viajar por centenas de quilômetros, um viajante parou num posto de gasolina à beira da estrada deserta para abastecer seu carro. Era um posto bem simples e rústico que estava meio abandonado pelo tempo. Seu dono estava sentado numa velha cadeira de balanço ao lado de um cachorro que estava deitado e pouco interessado por quem ali passava.

Pouco tempo depois de o dono do posto iniciar o abastecimento do tanque do carro, o viajante percebeu que o cachorro uivava de dor. E resolveu perguntar: “Esse cachorro é seu?”.

“Não, ele sempre aparece aqui e se deita aí”- Respondeu o dono do posto.

Ainda incomodado com os uivos, o viajante ousou perguntar: “Ele está sentindo alguma dor?”

“Ah! Liga não moço. Ele está deitado em cima de um prego” – Respondeu o dono do posto.

“Mas por que ele não se levanta?” – perguntou o surpreso viajante. “Não está doendo tanto assim. Se tivesse, ele se levantava” – Esclareceu o dono.

Lembrei-me ontem dessa parábola ao me deitar no meu delicioso e confortável colchão. Mas, inevitável foi lembrar de alguns pregos que me perfuraram ao longo de minha vida, e das repetidas vezes que deitei por cima deles. Eu nunca fui um cara de sair reclamando da vida, mostrar as costas marcadas e uivar alto para todos ouvirem. Mas, de forma semelhante ao cachorro, por vezes, encontrei-me sem forças para me levantar, ainda que a dor me incomodasse.

Só hoje me dou conta de que, como na parábola, permaneci lá justamente por não sentir dor suficiente para ter forças de me desvencilhar desses pregos. Na verdade, eu usava minha força para suportar a dor, em vez de me levantar e buscar uma saída. E você seria capaz de lembrar agora quantos pregos esteve ou estão agora cravados em suas costas?

Embora soubesse que os pregos não sairiam por espontânea vontade, eu não encontrava forças ou tinha recursos para sair de cima deles ou martelá-los. Aprendi que alguns pregos, infelizmente, surgem pelo caminho e não podemos tirá-los de lá. Simplesmente eles aparecem e cabe a nós nos desviarmos deles e seguir adiante.

Aprendi também que muitos pregos, quando não são tirados ou afastados logo cedo, terminam por criar vida, reproduzem-se e se espalham a ponto de virar uma cama dolorosa de pregos que limita, atormenta, castiga e impede de forma impiedosa qualquer noite ou hora de tranquilidade para aquele que tenta ali repousar. Enfim, descobri que o problema estava em resistir quando, em verdade, deveria reagir.

O problema é que algumas pessoas de tanto repousar em cima dessas camas de pregos acaba por descobrir várias formas de suportar a dor, achar o perfeito equilíbrio do corpo, endurecer a pele e praticar sacrifícios. Acabam inconscientemente agindo como faquires (indianos islâmicos famosos pela resistência à dor e pelos sacrifícios praticados).

E de tanto dormir nessa cama de pregos acabam se confortando na sua perfeita zona de desconforto. Acabam por virar um homem prego, pois estão pregados não só nessa cama como no mesmo lugar em que foram colocados há cinco, dez, vinte ou trinta anos. E se você conhece algum homem prego vai entender quanto tempo, energia e talento é desperdiçado. Talvez você durma ou trabalhe com algum do lado.

NÃO! MIL VEZES NÃO! A partir do dia que consegui retirar o primeiro prego da minha vida e a me desviar dos que eu não poderia remover, acabei por descobrir o poder da imaginação e o da ação. SIM! MIL VEZES SIM! Aprendi que eu poderia, sim, usar a energia que outrora canalizava para uivar ou reclamar dos pregos para vencê-los.

E quer saber mais? O dono do cachorro jamais seria o dono do posto. O dono do cachorro era aquele prego que o aprisionava todos os dias. E se você tem algum prego, seja uma dor, sofrimento, trauma, angústia ou vício, saiba que se você não vencê-lo e submeter suas vontades, ele se tornará seu dono. Você se transformará num homem prego deitado numa cama de pregos.

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